sexta-feira, 4 de abril de 2014

Moção de repúdio do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp ao ataque racista sofrido pela militante Tais Telles na Unesp, campus de Presidente Prudente

Viemos por meio desta manifestação relembrar um fato que ocorreu semana passada na UNESP, campus de Presidente Prudente, pois a opressão não vai silenciar os oprimidos. Isto deve ser combatido todo o dia, em todos os espaços e das maneiras necessárias para que um dia possamos acabar com a exploração e opressão que cai sobre as pessoas negras deste país. Viemos resgatar o caso de racismo que aconteceu com a companheira Tais Telles, militante do coletivo Mãos Negras, estudante de Geografia da UNESP de Presidente Prudente, e manifestar repúdio a exposição violenta e racista que sofreu e também a todos e todas que ainda usam a cor da pele para oprimir e subjugar o povo negro.

A Universidade racista, machista, homofóbica, elitista e etc. é um espaço que exclui de todas as formas possíveis a presença dos grupos oprimidos e explorados de suas dependências e dos seus espaços de decisão, pois a sua formação vem com o propósito de formar os filhos das elites para ocupar posições de mando, organizar e disseminar a Ideologia burguesa. Quando alguns jovens pobres, negros e negras enfrentam a barreira social que é o vestibular e têm acesso à “torre de marfim” do conhecimento, o racismo se manifesta de todas as maneiras que podem ser colocadas: o racismo pseudocientífico, o racismo nos olhares para nossos cabelos e nossas roupas, as posturas reacionárias em relação a programas de cotas raciais como hoje acontece na USP e na UNICAMP por parte dos gestores destas instituições e as práticas cotidianas como a violência sobre Tais Telles que foi taxada como “macaca”, “safada” e “preta” em uma pichação na porta de uns dos banheiros da Universidade. 

O racismo permeia as bases da organização da sociedade. Ignorar o que aconteceu na UNESP é contribuir para reprodução desta ideologia racista barata. Mais uma vez uma mulher negra que se propõem a construir um debate combativo em relação a sua condição é oprimida e subjugada. Isto é inaceitável! Todos nós, militantes negros, não permitiremos que isso passe despercebido, pois o racismo não pode ser ignorado na nossa sociedade: ELE TEM QUE SER IDENTIFICADO E ARRANCADO DO NOSSO COTIDIANO! Que fique claro, não só para o racista que exerceu esta violência sobre a Tais, mas para todos os outros racistas, que eles não calarão nenhuma voz negra: NEM A DELA NEM A NOSSA. Por isso, repudiamos todos os atos de racismo medíocres e nojentos e destacamos que eles serão combatidos com muita luta! Que o covarde que a agrediu não circule mais entre os estudantes e que na Universidade não tenha lugar para ele como para nenhum racista. 

TOTAL APOIO A COMPANHEIRA TAIS! PELO FIM DO RACISMO E DA EXPLORAÇÃO SOBRE, HOMENS, MULHERES, NEGROS E NEGRAS! RACISTAS, FASCISTAS E MACHISTAS NÃO PASSARÃO!

Campinas, 04 de Abril de 2014